Vítima de estupro coletivo no Piauí muda de cidade, diz advogada

Jovem prestou queixa na Delegacia Geral de Teresina.
Jovem prestou queixa na Delegacia Geral de Teresina.

A jovem de 21 anos que sofreu um estupro coletivo na cidade de Sigefredo Pacheco, a cerca de 160 km de Teresina, no Piauí, foi deslocada para uma nova cidade. De acordo com a advogada Josefa Miranda, a mudança foi necessária pois a vítima está muito abalada e constrangida com o ocorrido.

— Ela está muito abalada e teve que mudar toda a sua rotina. Ela está agora na casa de amigos, em Campo Maior, que é uma cidade vizinha à Sigefredo Pacheco. A mudança aconteceu por causa dos comentários. Ela tem medo do julgamento das pessoas e de sofrer alguma retaliação — explicou Josefa.

O caso chegou até a polícia depois que um vídeo começou a circular pelo WhatsApp, no qual a jovem, inconsciente, aparece seminua e tem suas partes íntimas tocadas por dois jovens. O abuso foi praticado dentro de um carro, na madrugada do dia 3 de junho.

Vítima identificou suspeitos

Segundo a advogada, a vítima identificou três dos jovens que aparecem no vídeos. Todos seriam da cidade de Sigefredo Pacheco.

— Ela se lembra desses três rapazes, mas pode haver mais pessoas envolvidas. Mas ainda não temos como precisar quantos participaram do estupro — disse Josefa, que pretende tomar as medidas cabíveis para evitar a disseminação do vídeo: — Estou indo hoje falar com o delegado do caso para saber quais serão os próximos procedimentos a serem tomados nesse sentido. O vídeo ainda está rolando e também fotos dela. Vale lembrar que cometeu crime não só os que cometeram o estupro, mas os que disseminam esse material também.

A advogada diz ainda que a cliente não se lembra com detalhes do que aconteceu no dia do estupro.

— Ela estava num festejo com três amigas, quando esses rapazes as convidaram para beber. Elas aceitaram, mas só a minha cliente bebeu. Ela tomou um copo e começou a passar mal. Depois, só se lembra de ter acordado em casa, zonza. Em seguida, soube do vídeo.

O boletim de ocorrência do caso só foi formalizado nesta terça-feira, quando a vítima também realizou exames médicos no Serviço de Atendimento à Mulher Vítima de Violência (Sanvis) da Maternidade Dona Evangelina Rosa. Depois, ela foi encaminhada ao Instituto Natan Portela para tomar um coquetel de medicamentos que evitar a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.

Segundo a advogada, a vítima, de origem humilde, teve dificuldades para registrar o caso na delegacia local e precisou prestar a queixa na Delegacia Geral de Teresina.

— Ela vai ficar em casa no dia de hoje, mas está recebendo o apoio da Polícia Civil, que tem um ótimo serviço de inteligência, por isso acreditamos na prisão dos suspeitos — concluiu Josefa.

O EXTRA entrou em contato com a Polícia Civil do Piauí para comentar o caso, mas até o fechamento desta matéria não teve retorno.

Site: globo.extra