Quilombolas vivem sobre morros de areias vivas no litoral Sul de Alagoas

Pixaim é o último povoado banhado pelas águas do rio São Francisco. Comunidade que fica próxima a Foz do São Francisco fica em Piaçabuçu.

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Migrar dentro do mesmo território mudando de casa de tempos em tempos é uma rotina das famílias da comunidade quilombola Pixaim, que vivem sobre dunas em uma área que fica nas proximidades da Foz do Rio São Francisco, no município de Piaçabuçu, em Alagoas.

A migração dentro do mesmo espaço ocorre devido à necessidade dos moradores de se adequarem às condições do meio ambiente, já que a comunidade, que está instalada há décadas em cima das areias finas que se movem a todo momento com a força do vento, se modifica dia a dia assim como a dinâmica dos ‘morros vivos’ do lugar.

“Aqui em Pixaim os morros de areias são vivos. Eles nascem, crescem e morrem. Se movimentam a todo momento com a força dos ventos. Assim, com tanta mudança no ambiente é comum de tempos em tempos as famílias terem que abandonar as casas que são tomadas pelas areias para irem morar em outros lugares dentro da comunidade”, explica o morador Ilsinho Calixto.

Segundo ele, quando isso acontece todos da comunidade se unem para ajudar na construção da nova casa. E que para moradia durar mais tempo, os moradores ao fazerem a escolha do lugar para construção observam a dinâmica dos ventos e a posição dos morros, respeitando a dinâmica da natureza.

“Antes de construir, escolher o novo lugar para morar é preciso observar como os morros estão andando. Respeitar a natureza para só assim construir uma casa e permanecer mais tempo em um só lugar”, completa Ilsinho.

Dificuldades
Última comunidade ribeirinha banhada pelas águas do Rio São Francisco, antes do rio desaguar no mar, Pixaim não possui energia elétrica nem água encanada.

Com isso, à noite, com exceção de uma das casas que faz uso de placa de energia solar, as demais moradias do povoado, que são construídas com taipa e rebocadas com cimento, são iluminadas durante as noites por velas, lampiões, candeeiros e lanternas.

Já a água para o consumo humano e animal vem de cacimbas cavadas com poucos metros de profundidade na areia fina. Isso ocorre porque devido a redução da vazão das águas do rio São Francisco, a água no trecho onde fica a comunidade está salinizada.

“Hoje o número de famílias que vivem em Pixaim não chega a 20. No passado, mais de 100 famílias viveram aqui. Naquela época havia muita gente porque a água do rio estava doce e todos viviam da plantação de arroz. Como o rio salgou e as plantações morreram por conta do sal na água, muita gente deixou a comunidade em busca de trabalho e oportunidade em outros lugares”, lamenta José Calixto.

Cotidiano
Atualmente permanece no povoado de Pixaim apenas alguns idosos, que vivem de benefícios sociais, poucos adultos, que trabalham com pesca, criação de ovelhas e trabalhos temporários; e um número muito reduzido de jovens e crianças.

Esquecida no mapa, ou despercebida pelos olhares menos atentos, para se chegar em Pixaim é necessário bastante esforço, pois os únicos percursos possíveis são por navegação contornando o rio em pequenas embarcações ou transpondo dunas em uma longa caminhada ou de carro traçado sobre as areias.

g1

20/11/2016

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