Policial executado dentro de ônibus é sepultado ao som de hinos religiosos

enterro

O corpo do policial civil José Clerio Vieira, morto dentro de um ônibus na parte alta de Maceió, foi sepultado ao som de músicas religiosas no Memorial Parque Maceió, na tarde desta sexta-feira (22). Familiares e amigos se emocionaram na cerimônia, que contou também com a presença de representantes da Segurança Pública de Alagoas.

O sobrinho de Clerio, Rodrigo Tenório, disse que o tio nunca passou por nenhuma situação de perigo durante profissão. “Ele ia para casa, no Village. A não ser nas diligências, ele nunca havia sofrido algum atentado. E infelizmente, foi a primeira e a ultima vez”, disse.

O diretor do Sindpol-AL, Josimar Melo, fez duras críticas ao governo, dizendo que os policiais não recebem investimentos em melhoria de condições de vida.

“Clério sempre apoiou as nossas manifestações, participando ativamente da luta, de todos os momentos de greve da categoria”, disse. “Que o governo reconheça que é um profissão de risco. Os únicos que recebem uma gratificação são os agentes penitenciários. O governo vende uma coisa a sociedade, mas a realidade é essa: estamos enterrando nosso companheiro hoje”, completou.

Retrato falado

Ainda durante o sepultamento do corpo do agente da Polícia Civil, o delegado geral da PC, Paulo Cerqueira, descartou a possibilidade de divulgar retratos falados dos suspeitos.

De acordo com o delegado, tanto o motorista quanto o cobrador do ônibus onde o policial foi morto não contribuíram muito para a identificação da dupla criminosa.

“Infelizmente eles ainda estão assustados demais. Até mesmo para falar é difícil. O medo impera”, conta.

Perguntado sobre a qualidade das câmeras do ônibus que poderiam ter contribuído com elucidação mais rápida do crime, Paulo Cerqueira comentou que houve uma reunião com a cúpula da Secretaria de Segurança Pública para discutir a demanda.

“As imagens realmente são péssimas. Difícil é reconhecer alguém ali. Esperamos que as empresas tentem mudar isso para facilitar o trabalho e que as pessoas possam denunciar pelo 181”, acredita.