Justiça espanhola autoriza uso de novas provas em processo da chacina em Pioz

Juiz atendeu pedido da família das vítimas para acrescentar objetos e provas recolhidas pelas polícias brasileiras sobre Patrick Gouveia.

A Justiça espanhola autorizou que sejam acrescentadas novas provas no processo que julga François Patrick Gouveia, assassino confesso da chacina da família brasileira em Pioz, na Espanha. O juiz do caso atendeu a um pedido feito pelo Ministério Público espanhol e pelo advogado da família de Marcos Nogueira, o pai da família assassinada em agosto de 2016. A decisão foi publicada na Espanha na quinta-feira (6), mas divulgada apenas nesta sexta-feira (7).

Janaína Américo, o marido dela, Marcos Nogueira, e os filhos do casal de 1 e 4 anos de idade foram encontrados mortos e esquartejados em um chalé na cidade espanhola, em 18 de setembro do ano passado, cerca de um mês após o crime. Patrick Gouveia, sobrinho de Marcos, se entregou à polícia da Espanha e confessou o crime em 19 de outubro. As urnas com as cinzas da família chegaram em João Pessoa em 10 de janeiro, quatro meses depois, quando as vítimas foram enterradas.

O objetivo do pedido que foi aprovado pela justiça espanhola é reforçar as acusações contra Patrick Gouveia e Marvin Henriques, que responde a processo no Brasil como partícipe no caso. De acordo com a decisão do juiz espanhol, as provas recolhidas pelas polícias brasileiras, incluindo objetos usados por Patrick no período em que ele permaneceu em João Pessoa após cometer o crime, devem ser remetidas para a Espanha, para que sejam parte do processo.

Um cartão de memória de um celular usado por Patrick Gouveia e os sapatos do jovem fazem parte do material que deve integrar o novo conjunto de provas no processo que tramita na justiça espanhola. Para Walfran Campos, irmão de Marcos Nogueira, a decisão judicial é uma boa notícia para os familiares, uma vez que pode fortalecer o indiciamento pela prisão permanente revisável, que na prática funciona como uma prisão perpétua na Espanha.

Sobre a possibilidade das novas provas envolverem Marvin Henriques, Sheyner Asfora, representante legal do amigo de Patrick Gouveia, explicou que a defesa acompanha essa decisão da justiça espanhola com tranquilidade. O advogado reforçou que a ação de Marvin não tem relevância penal, nem para acusação, nem para condenação. “Eu não tive acesso a essa decisão da justiça espanhola, mas estamos muito tranquilos, pois como está se apurando lá na Espanha, o próprio Patrick assumiu a autoria de todos os crimes. Foi tachativo em afirmar que fez tudo só”, comentou na manhã desta sexta-feira (7).

Planos de morte compartilhados

“Com essa decisão, a justiça pode encontrar novas provas sobre os planos de Patrick e se ele conversou com outras pessoas, além de Marvin sobre o caso. Inclusive, pode ser que descubram se Marvin sabia da morte dos outros antes do crime”, comentou Walfan Campos. Embora tenha sido autorizada a anexação do material colhido no Brasil, a justiça espanhola não determina novas perícias nos aparelhos que já faziam parte do processo. A nova perícia também havia sido pedido pelos representantes de Walfran Campos.

“Ainda não sabemos como vai ser feito esse procedimento, se vão mandar um agente da polícia espanhola até o Brasil para coletar os objetos apreendidos pela polícia brasileira, ou se a própria polícia vai remeter o material para a Espanha. Acredito que isso deve ser decidido”, completou o irmão de Marcos. Walfran Campos relata que desde a morte do irmão tem trabalhado com a família de Janaína Américo, esposa de Marcos, para que o processo acabe com a pena máxima e que todos os envolvidos sejam punidos.

“Estou lutando muito, fazendo tudo que posso, para conseguir alcançar justiça pela morte do meu irmão e da sua família”, diz Walfran.

O irmão da vítima diz que a família pretende “quantas provas forem possíveis para dificultar ainda mais a argumentação da defesa”. “Eu e nossa família queremos todos os envolvidos presos e condenados”, diz.

g1

07/04/2017

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