Índio é morto e 6 ficam feridos em conflito no sul de MS, afirma Funai

Sesai informa que homens armados atiraram em cerca de mil indígenas.
Três policiais militares também foram feridos ao ficarem reféns por 2 horas.

Policiais na região do confronto em Caarapó.
Policiais na região do confronto em Caarapó.

O agente de saúde indígena Claudione Rodrigues Souza, de 26 anos, morreu e pelo menos seis índios ficaram feridos, entre eles uma criança, durante confronto com produtores rurais, nesta terça-feira (14), em área deCaarapó, região sul de Mato Grosso do Sul. A Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) publicou nota de pesar aos familiares do indígena morto, na página do Facebook.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) informou que a área está na Terra Indígena Dourados-Amambaipeguá. Conforme o órgão, ela é tradicionalmente ocupada e está em estudo para regularização funciária.

O comandante da Polícia Militar (PM) do município, tenente-coronel Carlos Silva, informou que três policiais também estão entre os feridos, totalizando nove pessoas. Segundo a PM, os militares foram a uma fazenda para escoltar os bombeiros durante o resgate dos feridos e foram rendidos pelos indígenas depois que o pneu da viatura furou.

Segundo a Sesai, homens armados chegaram em 60 camionetes e atiraram em cerca de mil indígenas, incluindo quatro agentes de saúde indígena, que estavam reunidos no território próximo a aldeia Te’ Ýikuê.

Segundo o comandante da polícia, uma fazenda foi ocupada por indígenas na segunda-feira (13) e houve confronto entre o grupo e produtores rurais. Nesta manhã, os bombeiros foram chamados e pediram apoio da PM para ir até o local, mas os militares acabaram rendidos por duas horas e tiveram as armas de fogo e coletes tomados e a viatura queimada pelos indígenas. Os policiais militares foram resgatados do local pelos bombeiros com ferimentos leves.

A PM e a Polícia Federal negociaram durante toda a tarde para a devolução de três armas que estavam com os policiais quando foram feitos reféns. Mas a negociação não avançou e a PF encerrou as tratativas por questão de segurança.

Ainda segundo o tenente-coronel, a equipe foi recebida a tiros e há suspeita de que índios paraguaios estejam entre os indígenas brasileiros. Até o momento, não há informações sobre as circunstâncias da morte do indígena, que atuava como agente de saúde na aldeia.

O G1 entrou em contato a Delegacia de Polícia Civil do município, que fica a 264 quilômetros de Campo Grande, mas recebeu informação de que o delegado titular está em diligências. A assessoria de imprensa da PM disse que está apurando as informações e ainda tenta contato com os militares da região.

O sindicato rural do município informou que o presidente da entidade foi para a região do conflito em busca de mais informações e a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) também apura o que aconteceu.

O prefeito do município Mário Valério (PR) disse que quatro dos feridos foram transferidos para o hospital de Dourados por conta da gravidade dos ferimentos e há informações de mais feridos na aldeia, mas os policiais e bombeiros não conseguem entrar no local.

“A situação é crítica, estamos reunidos com PF, PC, PM, Polícia Rodoviária Federal e Departamento de Operações de Fronteira (DOF) e prefeitura está dando assistência na cidade, mobilizando viaturas e médicos para socorrer e transportar os feridos”, afirmou.

Confira abaixo a nota da Sesai na íntegra:

“A Secretaria Especial de Saúde Indígena do ministério da Saúde (Sesai/MS) manifesta pesar aos familiares do agente de saúde indígena, Cloudione Rodrigues Souza, 26 anos, da etnia guarani-kaiowá, falecido nesta terça-feira (14/6), em decorrência de conflitos étnicos na região de Caarapó, em Mato Grosso do Sul.
O jovem agente foi morto covardemente, por homens armados que atiraram em cerca de mil indígenas, incluindo quatro agentes de saúde indígena, que estavam reunidos no território próximo a aldeia Te’ Ýikuê, quando foram surpreendidos por homens armados, em aproximadamente 60 veículos (camionetes).
Que Deus proteja e conforte todos os povos indígenas e familiares neste momento de dor. 

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