Homem mostra foto de mulher sentada no seu colo no trem do Rio após disputarem assento

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Central do Brasil em horário de pico. Quem conhece a principal estação de trens urbanos do Rio sabe a falta de civilidade quando as portas dos carros se abrem para que os passageiros se “acomodem”. Nesta quarta, o cabo da Marinha Michel de Souza, de 25 anos, partiu o mais rápido que pôde para garantir um lugar para sentar. Na disputa, o rapaz reconhece que esbarrou numa mulher que, irritada, acabou fazendo o colo dele de poltrona. Segundo Michel, a passageira se recusou a sair: “Os incomodados que se mudem”, teria lhe dito.

A história veio à tona depois que o jovem, que escreve, num blog, crônicas sobre dificuldades que enfrenta na cidade, publicou uma foto da cena no Facebook. A postagem viralizou e rendeu uma série de comentários nas redes sociais, muitos deles em referência ao drama que é se deslocar pelo Rio. O sucesso é tanto que, no momento em que esta matéria foi ao ar, já eram quase 30 mil curtidas e mais de 1.700 compartilhamentos.
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Ao EXTRA, Michel disse que estava a caminho de Anchieta, bairro onde mora, quando a situação aconteceu, e que está habituado a usar o trem nos trajetos de ida e volta, sempre com vagões lotados e raros lugares livres.

— Ela se sentou com cerca de 70% do corpo em cima de mim. A outra perna ficou no espaço entre mim e o outro passageiro, já que era uma daquelas poltronas duplas. Ela disse “Sentei primeiro”, mas não sei o que passou pela cabeça dela, porque achou que eu tinha de alguma forma me sentado por baixo dela. Como? — disse o rapaz, que claramente se diverte com a situação: — Eu podia ter ficado nervoso, porque é chato, mas decidi levar numa boa. Falei com ela, inclusive, que teria cedido o lugar se não tivesse agido com marra, se tivesse mais educação. Acredito no feminismo, os direitos são iguais. Eu não cederia lugar por ela ser uma mulher, mas sim por usar de educação — afirma.

A viajante passou, ao todo, 18 estações no colo de Michel, até que uma outra passageira decidiu lhe ceder o lugar. Michel, por sua vez, garante que até pensou em deixar que ficasse com o assento, especialmente quando as pernas começaram a ficar dormentes, mas bateu o pé e fez questão de aguentar até o fim.

— Resolvi tirar o celular do bolso, apesar dos protestos dela, que largou todo o peso em cima de mim, e resolvi fazer a foto. Foi mais uma crônica sobre os transportes no Rio. Durante a viagem, além de usar o Facebook, joguei “Plantas versus Zumbis” apoiado nas costas dela e com o volume máximo, para ver se ela saía, mas nada aconteceu. Até cheguei a fingir que tinha caído no sono — revela Michel, sempre em tom de riso.

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O ar fica mais sério quando o assunto é a administração dos meios de transporte locais. Para o carioca, passageiros têm sua parcela de culpa em brigas e outros problemas em vagões e ônibus que cirulam na cidade, mas acredita que os maiores responsáveis são os gestores, a Supervia e o Estado.

— Infelizmente, a gente é meio que acostumado com essa situação deplorável. Não tem nenhuma empresa que trate seu cliente tão mal quanto a Supervia, e não há qualquer acolhimento do Estado. A mulher não foi uma vilã. É o sistema que faz com que as pessoas ajam dessa forma: por que as pessoas têm que se esmagar? Por que os intervalos não podem ser menores? Por que as estruturas não são melhores? Aquela foi uma atitude de desespero diante da confusão de todos os dias — completa o jovem.

Com a fama repentina, Michel pretende realizar um sonho: quer ir ao programa de TV “Encontro com Fátima”, exibido pela “Globo”: — Eu preferia ter ficado conhecido pelos meus textos ou eventos literários, mas já que aconteceu, quero aproveitar para ir ao programa — pede.

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