FPI desmonta rinha de galos em chácara em Delmiro Gouveia, Alagoas

90 animais foram resgatados, alguns deles machucados.
Ação foi nesta terça-feira (22); dono do local foi multado em R$ 65 mil.

galos_rinha_apreendidos

A Fiscalização Preventiva Integrada do Rio São Francisco da Tríplice Divisa (FPI) localizou e desmontou uma rinha de galos que funcionava dentro de uma chácara no município de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas, nesta terça-feira (22). O proprietário do local foi multado e teve, além de 90 galos, medicamentos veterinários e uma espingarda apreendidos.

Segundo o Ministério Público (MP-AL), a chácara fica a 35km do centro de Delmiro. O local seria utilizado como um disfarce para a criação e treino de galos de briga. 90 animais foram encontrados presos em pequenas gaiolas, sendo que 54 deles apresentavam sinais de maus- tratos. Alguns tiveram as esporas serradas, cristas abertas e tinham falhas de penas pelo corpo.

“E os galos também apresentavam cicatrizes na face. Na verdade, essas feridas são provocadas de forma proposital por meio de uma técnica chamada de escarificação, que consiste em machucar o rosto do animal com uma espécie de ralador. Assim, ferindo várias vezes, calos começam a surgir e eles deixam as faces dos galos mais fortes para as rinhas”, explica o médico veterinário Isaac Albuquerque.

Ainda de acordo com o veterinário, além da situação em que os animais foram encontrados, a fiscalização também flagrou material utilizado para o treinamento dos animais para as brigas e medicamentos vencidos e acondicionados de forma irregular. Tudo estava dentro de uma espécie de rinha móvel.

“Eles alegam que aqui funcionava apenas uma espécie de centro de treinamento, negando que era uma rinha de galos. Mas, para gente, isso não faz tanta diferença, uma vez que durante o treino há brigas e eles se machucam do mesmo jeito. Os maus-tratos estão configurados”, explica o veterinário.

O proprietário da chácara, Flávio Antônio Queiroz, recebeu uma multa no valor de R$ 65 mil. A punição foi aplicada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA) e pelo Ibama. Segundo o MP, o homem aparentava calma durante a ação dos fiscais, mas ficou nervoso quando foi informado do recolhimento dos animais.

“Esses animais são meus e eu não posso ficar sem eles. Vou brigar na Justiça para tê-los de volta. Não são maus tratos o que acontece aqui em casa”, disse Queiroz.

Pouco depois, no entanto, ele confessou que colocava os animais para brigar. “Eu crio esses galos, prioritariamente, para reprodução. Mas não nego que, às vezes, eu os coloco para brigar e faço apostas. Só que isso é só de vez em quando”, afirmou ao MP.

No local também foram constatadas construções irregulares, que também foram incluídas no valor da multa aplicada no proprietário do local.

g1

23/11/2016

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