ETA entrega 12 esconderijos com 120 armas e 3 toneladas de explosivos para autoridades francesas

Todos esconderijos estão localizados nos Pirineus Atlânticos, na França.

A organização terrorista ETA revelou à polícia da França a localização de 12 depósitos de armas, todos no departamento 64 da França, nos Pirineus Atlânticos. De acordo com Ram Manikkalingam, porta-voz do Comitê Internacional de Verificação (CIV), os arsenais devem conter 120 armas, 3 toneladas de explosivos e milhares de munições e detonadores.

Essa informação foi revelada por fontes da luta antiterrorista na Espanha, que não descartaram ter mais esconderijos ou armazéns de armamento.

A entrega dos dados foi feita por representantes sociais basco-franceses que assumiram o trabalho de “mediar” a relação entre o grupo e os governos espanhol e francês. Ela ocorreu a o ETA se declarar uma “organização desarmada”.

Neste sábado (8) pela manhã, estão programados atos em Bayonne (França), em torno ao desarmamento da ETA. Os atos iniciam no cinema Atalante, com o curta-metragem “A paix maintenant, une exigence populaire” (A paz agora, uma exigência popular), do diretor Thomas Lacoste, onde ele aborda o processo de desarmamento da ETA, protagonizado pelo chamado grupo de Louhossoa, os autodenominados “artesãos da paz”.

Após a estreia do filme será realizada palestra na sala com o próprio Lacoste, o professor de Direito Jean-Pierre Massias e o ex-juiz e membro do comitê de Direitos Humanos da ONU, Louis Joinet.

Às 12h (horário local, 7h de Brasília) vai acontecer uma mesa-redonda com a participação do ex-conselheiro basco e atual porta-voz da organização em favor dos presos da ETA, Sare Joseba Azkarraga, a antropóloga membro do Fórum Social permanente, Aitzpea Leizaola, e o ex-juiz e assessor da ONU, Philippe Texier.

Luta pela independência

O ETA, fundado em 1959, é considerado responsável pela morte de ao menos 800 pessoas em mais de 40 anos de luta armada pela independência do País Basco e de Navarra.

Nos anos 1970-1980, comandos para-policiais criados pelo governo espanhol, como o GAL (Grupos Antiterroristas de Libertação), travaram uma guerra contra o grupo armado.

Em 2010, o ETA anunciou o fim dos atentados e um ano depois renunciou à luta armada, mas se negou a entregar as armas e a se dissolver, como exigem os governos espanhol e francês.

No dia 12 de outubro, França e Espanha anunciaram o desmantelamento de um esconderijo com armas do ETA em Carlepont, 120 km ao norte de Paris.

Em um comunicado com data de 18 de outubro, o ETA acusou Espanha e França de não querer “buscar soluções razoáveis” para a paz no País Basco.

g1

08/04/2017

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