Dependentes químicos usam a arte para se livrar das drogas

Comunidade acolhedora credenciada pela Seprev dá ênfase na arteterapia como forma de restruturação mental e resgate dos acolhidos

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Recriando formas, jovens reorganizam a menteAscom/Seprev

Uma simples massa de modelar pode ganhar as mais variadas formas. E no vai-e-vem das mãos, expressar emoções até então desconhecidas. É por meio da arteterapia que dependentes químicos da comunidade acolhedora Coração Misericordioso, localizada no município de Barra de Santo Antônio, estão se redescobrindo.

As atividades são conduzidas pelo psicólogo Cézar Melo e faz parte do cronograma da comunidade acolhedora, que é credenciada pelo Governo de Alagoas, por meio da Secretaria de Estado de Prevenção à Violência (Seprev).

A prática artística tem o intuito de ajudar os adictos a reorganizar a mente e redirecionar o foco de vida, usando a liberdade de expressão e a subjetividade para facilitar o desenvolvimento da comunicação e transformar o consciente.

Segundo o psicólogo, a arteterapia é uma excelente alternativa para os acolhidos, que se sentem mais à vontade para se expressar. No exercício, Cézar pediu para que os dependentes contassem, com o uso da massa de modelar, um pouco sobre suas infâncias. Símbolos das brincadeiras de criança como pião, estilingue, bola, skate foram surgindo e criando laços com o passado.

“Muitos estavam desconectados de sua infância, e a atividade fez com que eles resgatassem vários momentos desse período da vida tão importante para todos nós. Eles puderam entender que ainda carregam muito da infância, principalmente o lado positivo e com isso solucionar muitos problemas”, explicou Cézar Melo.

O acompanhamento psicológico é trabalhado duas vezes por semana com arteterapia e atendimentos individuais. A próxima ação produzirá peças artesanais para uso dos próprios acolhidos.

Daniel Dabasi – Agência Alagoas