Condenação moral

Chegou a vez de Renan Calheiros

1029535-df_img_0393Embora o alvo imediato de Renan Calheiros sejam os salários do Judiciário que ultrapassam o teto constitucional, são os ministros do Supremo Tribunal Federal, cuja remuneração baliza o teto, que tiram o sono do presidente do Senado.

Ele sabe que o plenário do STF analisará, antes do recesso de fim de ano, a denúncia que pode finalmente transformá-lo em réu. Trata-se do caso mais antigo entre os que se acumulam contra Renan na Corte, no qual ele é acusado de ter as despesas de uma filha pagas por uma empreiteira.

A eventual aceitação da denúncia sinalizará que a hora chega também para políticos poderosos, mas o efeito prático será pouco.

Graças ao pedido de vista do ministro Dias Toffoli, não valerá para o presidente do Senado o entendimento, já majoritário no Supremo, de que réus têm de abandonar cargos situados na linha sucessória da Presidência da República .

Condenação moral

A demora de anos na liberação da denúncia para voto, obra dos ministros-relatores que se sucederam no caso, poupará Renan de qualquer pena mais significativa, se e quando houver condenação. Parte dos crimes apontados já terá prescrito. Mas fica política e moralmente condenado pela Suprema Corte do país.

Pintado para guerra

Renan avisou às cúpulas do PMDB e do governo que será o próximo alvo da Justiça, no rega-bofe que ofereceu a elas para comunicar as retaliações com as quais pretende revidar o que considera perseguição da lei contra ele. Quem se considera perseguido pela lei é porque anda na contramão dela.

Entre os presentes a essa triste exposição estavam, infelizmente, os presidentes da República e da Câmara, guardiões da democracia.

Mais um

Renan Calheiros não será o único presente de Natal oferecido pelo STF.

Ministros da Corte avaliam que haverá tempo para examinar, antes do recesso, pelo menos mais um caso de um político importante encrencado com a Justiça.

Jorge Bastos Moreno – O Globo

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