Adolescente perde 19 familiares em ataque químico na Síria

Bomba caiu em frente à casa do avô de Mazin Yusif, de 13 anos

Mazin Yusif, de 13 anos, é um sobrevivente do ataque químico na Síria. Mas sua vida nunca mais será a mesma: o adolescente perdeu 19 familiares no massacre, incluindo avô e primos.

O ataque químico na cidade síria de Khan Sheikhun, na província de Idlib, foi o segundo mais mortal desde o início da guerra no país. Ao todo, 70 pessoas foram mortas — entre elas 20 crianças — , num ataque que desatou uma onda de condenações e comoção em todo mundo.

Depois do bombardeio, Yusif foi levado para um hospital na cidade turca de Reyhanli, perto da fronteira com a Síria, onde também estão internadas a mãe e a avó do garoto.

— Às 6h30 da manhã houve um ataque aéreo — relatou à rede CNN Yusif, que tinha 7 anos quando começou a guerra na Síria. — Vi a explosão na frente da casa do meu avô, corri para lá e vi o meu avô sentado… sufocando. Então eu fiquei tonto.

Sem conter as lágrimas nos olhos, o adolescente, então, listou os familiares que perderam a vida no ataque da última terça-feira: avô, primos e muitos outros.

Segundo a avó de Yusif, depois que a bomba caiu em frente à sua casa, ela começou a enxergar em amarelo e azul.

— Engasgamos, sentimos tonturas e então desmaiamos. Famílias inteiras foram mortas.

Nesta quinta-feira, o ministro turco da Justiça afirmou que as autópsias realizadas na Turquia de vítimas do ataque confirmam o uso de armas químicas pelo regime de Bashar al-Assad, que nega a autoria da ação.

— Foram realizadas autópsias em Adana (sul da Turquia) de três corpos transportados de Idlib. Os exames revelaram que armas químicas foram utilizadas — declarou o ministro Bekir Bozdag. — Este exame científico revela também que (Bashar al) Assad utilizou armas químicas — completou o ministro, sem revelar os elementos que servem de base para a acusação.

Os médicos constataram sintomas de um ataque químico: as vítimas tinham pupilas dilatadas, convulsões e espuma saindo pela boca.

Bozdag explicou que as autópsias de três corpos em Adana contaram com a participação de legistas turcos, além de representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ).

o globo

06/04/2017

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