Temer volta à defensiva e aposta em cargos para recuperar apoio

O vento, que estava soprando a favor do presidente Michel Temer desde que decretou intervenção na segurança pública do Rio de Janeiro em fevereiro, voltou a ficar desfavorável nesta semana para o Palácio do Planalto depois que o emedebista teve seu sigilo bancário quebrado. Resultado, aliados ensaiando embarcar em outros projetos presidenciais e risco de redução da bancada do MDB na Câmara dos Deputados.

Para tentar afastar o risco de isolamento do presidente e manter a força do MDB no Congresso, que tem hoje a maior bancada no Legislativo, a equipe do presidente Temer vai usar como armas a reforma ministerial prevista para abril e a liberação de verbas do Orçamento. A estratégia é mostrar aos aliados que ensaiam mudar de lado que eles têm muito a perder. Principalmente em ano eleitoral.

Afinal, mesmo voltando para as cordas, o governo Temer tem munição suficiente para ajudar deputados aliados em suas campanhas eleitorais de renovação de seus mandatos no Legislativo. Com a economia crescendo, isso pode pesar na definição de quem hoje está fechado com o governo, mas ameaça de trocar de lado.

O recado será claro e já vem sendo distribuído aos partidos governistas. Só ficará no comando de ministérios os partidos que estiverem do lado do presidente Michel Temer. E o governo vai destinar mais verbas para os que continuarem fieis ao Palácio do Planalto, revela o G1.

O fato é que o Palácio do Planalto sentiu o baque. Em conversas reservadas, assessores do presidente Michel Temer não escondiam certo abatimento nos últimos dias. Afinal, eles vinham de duas semanas com o presidente saindo da defensiva, suficiente para acalentar o sonho de que Temer poderia se candidatar à reeleição.

Agora, ao terminar essa primeira semana completa de março, o governo voltou para as cordas depois da quebra do sigilo bancário do presidente pelo ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. E do esgotamento de geração de notícias positivas apenas com base em discursos e medidas na segurança pública, sendo que os efeitos concretos só virão no médio prazo.

Um resultado do novo revés do governo foi sentido na convenção do DEM que lançou a pré-candidatura de Rodrigo Maia. Aliados do Planalto manifestaram apoio ao presidente da Câmara e deixaram Temer de lado. Claro que isso pode mudar se Rodrigo Maia não decolar. Mas foi uma sinalização de que esses aliados já não pensam num voo com o MDB na eleição presidencial. Se não forem de Maia, podem apoiar o tucano Geraldo Alckmin.

09/03/2018