Pai de menino escondido em mala é condenado a multa simbólica

Em 2015, a incrível imagem de scanner mostrando um menino escondido dentro de uma mala, descoberto no enclave espanhol de Ceuta, rodou o mundo. O pai, marfinense, havia pago a contrabandistas para que mandassem o filho para a Espanha. Um tribunal de Ceuta decidiu nesta terça-feira (20) por uma multa simbólica para o pai, que já cumpriu prisão preventiva, e agora poderá viver finalmente com a família toda reunida.

“Tudo acabou, vamos começar a reviver, todos juntos, minha esposa, minha filha, meu filho e eu em Bilbao”, no norte da Espanha, reagiu Ali Ouattara, aliviado, na saída da audiência, revela o MSN.

Ouattara, ex-professor de filosofia e francês em Abidjan, chegou à Espanha em 2006 de forma ilegal a bordo de um barco improvisado, fugindo de sua Costa do Marfim natal, mergulhada em uma grave crise política e militar. Ele conseguiu se instalar no arquipélago espanhol das Canárias, mas demorou anos para obter uma autorização de residência, um emprego estável e alojamento.

O exilado conseguiu trazer legalmente a esposa e a filha, mas não o mais novo, Adou, porque faltavam “€ 56 por mês” para conseguir o rendimento exigido pela administração espanhola. A solução desesperada para ter toda a família junta foi optar para uma rede de contrabandistas, que, por € 5 mil, prometeu a Ouattara que o garoto chegaria facilmente, de avião, direto de Abidjan para Madri.

Mala rosa pesada

Em 7 de maio de 2015, em um posto de fronteira em Ceuta, uma mala rosa arrastada com dificuldade por uma jovem marroquina foi submetida ao controle por scanner. Os guardas descobriram na tela a silhueta de uma criança em posição fetal: algo jamais visto nesse posto de controle da cidade autônoma espanhola de Ceuta – no norte de Marrocos – representando uma das duas fronteiras terrestres entre a África e um território da União Europeia.

A jovem marroquina sumiu e o pai foi preso. A promotoria solicitou inicialmente três anos de prisão contra o pai do menino, de 45 anos. “A vida da criança foi colocada em perigo, encolhido em uma mala pequena sem ventilação”, declarou o presidente do tribunal, Fernando Teson, resumindo um argumento da acusação. O advogado do réu, Juan Isidro Fernandez, retrucou que, uma vez que sua avó paterna morreu em Abidjan, Adou encontrou-se sozinho na Costa do Marfim, com seu irmão de 18 anos não podia cuidar dele.

O Ministério Público acabou requisitando apenas uma multa, constatando que a audiência não havia provado que o réu “sabia como o filho seria introduzido no país”. Os três juízes o condenaram o réu a uma multa de cerca de equivalente a cerca de R$ 370, levando em conta o fato de ter passado um mês em prisão preventiva. A família comemorou o final feliz da história.

21/02/2018